
A evolução e a modernidade trazem muitas melhorias, porém também trazem diversos problemas; a mídia traz inúmeras notícias sobre os mais diversos males da nossa época...
Neste texto, pretendemos abordar o problema do excesso de peso; problema que muitas vezes não é percebido pelas pessoas, pois além dele se instalar de uma maneira silenciosa, insidiosa e sutil, para a maioria das pessoas "comer é muito bom" e elas repartem esse prazer com seus mascotes!
Em animais, o excesso de peso pode ser facilmente percebido pela impossibilidade de se sentir as costelas, além da falta de uma "cinturinha" e outros "excessos de gostosura" que tocamos nos corpos dos mascotes que têm esse problema.
A obesidade não é um problema estético, é uma problema de saúde, pois ela está incriminada em uma série de outros problemas de saúde, que, felizmente são, na maioria dos casos, revertidos quando o paciente volta ou se aproxima do seu peso ideal.
Animais obesos, como ocorre com pessoas com o mesmo problema, têm maiores tendências a desenvolver os seguintes problemas de saúde:
O tratamento da obesidade consiste num conjunto de medidas e atitudes a serem tomadas pelos proprietários:
A restrição calórica pode ser feita de diversas maneiras: oferecer uma quantidade menor do alimento normalmente consumido pelo animal, ou oferecer uma quantidade semelhante de uma dieta rica em fibras e pobre em gorduras.
A dieta pobre em gorduras leva a uma queima maior de energia, pois a ingestão e digestão de proteínas e carboidratos leva a uma queima maior de energia do que a que ocorre com a ingestão de gorduras. Além disso a fibra em maior quantidade na dieta leva a vários eventos: sensação de "saciedade", e diminuição da disponibilidade dos nutrientes energéticos ingeridos, diminuição da digestão enzimática de gorduras e aumento do tempo de trânsito intestinal, com a diminuição do tempo de permanência do alimento no trato digestivo - estes fenômenos levam à menor absorção de nutrientes energéticos (calóricos), o que leva ao emagrecimento.
Também é importante alimentar os animais obesos com dietas ricas em fibras e pobres em gorduras, em várias pequenas refeições no decorrer do dia, para promover uma maior queima de energia pela digestão.
Bons hábitos alimentares, desde a mais terna infância do pet, é fundamental para uma "saúde magra" do mesmo.
Alguns fatores não dietéticos podem influênciar a tendência à obesidade:
A reincidência da obesidade, como no homem, leva ao aumento das dificuldades de perder e manter o peso - ou seja, cada vez que o mascote fica obeso, fica mais dificil emagrecê-lo...
A prevenção da obesidade é muito importante, porém não recebe o valor que merece, e deve ser instituída desde a fase de crescimento. O filhote deve receber uma quantidade calculada pelo veterinário de ração seca, pois caso tenha acesso liberado ao alimento, na grande maioria dos casos, esse filhote apresentará um peso cerca de 25% maior do que o filhotes que recebem uma quantidade controlada de alimento.
Temos que lembrar que os nossos mascotes são domésticos, porém ainda carregam instintos, e na vida selvagem o contexto é totalmente diferente...
Na vida livre os animais têm que caçar para comerem e nem sempre conseguem se alimentar diariamente; têm que fugir de seus inimigos, lutar para se defenderem, proteger a prole e os companheiros de grupo, dormir ao relento ou em tocas frias, procurar o(a) companheiro(a), seguí-lo(a) e defendê-lo(a), lutar com o "concorrente" para acasalarem, etc.
Isto tudo resulta num gasto de energia muito maior do que nossos bem cuidados pets, porém eles ainda carregam consigo a tendência a comerem tudo a que tiverem acesso, pois o instinto de "acúmulo para os dias de jejum" ainda persiste...
Sabe-se que a obesidade durante a infância ocorre com a produção de um número cada vez maior de células adiposas (de gordura), além do aumento do seu tamanho devido ao acúmulo de gordura dentro delas. Essas células irão persistir durante toda a vida do animal, o que também vale para os humanos. Assim, quando o animal ou a pessoa entrarem na fase adulta terão um maior número de células adiposas no seu corpo; e, nesta fase da vida, o ganho de peso ocorre pelo aumento do volume de gordura dentro de cada célula.
Quando do emagrecimento, não se perdem células adiposas em número; só ocorre a redução do seu tamanho, porém só até um certo ponto a partir do qual começa a perda de tecido muscular.
Entende-se, agora, porque é tão difícil um adulto que foi "gordinho" durante sua infância e adolescência, manter o peso ideal, e porquê para este é muito difícil perder peso.
É importante ressaltar que após o emagrecimento, na fase de manutenção de peso, acompanhada de exercício, é comum que haja um sutil aumento do peso por ganho de massa muscular, porém deve-se lembrar sempre que é muito fácil para o "ex-obeso" engordar!!!
Procurem ajuda conosco... É muito importante para nossos queridos pets!
Dras. Barbara e Ana Carolina